


Porque um jardim jamais está completo , até nos dias mais cinzentos , uma flor desponta para nos lembrar que uma nova estação repleta de cor e de aromas doces se avizinha. Mesmo quando o frio e a penumbra parecem ter vindo para ficar , o nosso jardim nunca dorme... e em breve, explodirá numa paleta de cores que quase nos faz desejar que permaneça assim para sempre , florido e exuberante. Talvez a maior lição que a Natureza nos ensina , é que a transformação é a única coisa que permanece.
É comum , que consoante a literatura consultada , surjam vários nomes de famílias , daí ser , por vezes difícil , descortinar qual a mais correcta ; ainda que diferentes , todas estas classificações estão correctas , mas com o surgir da nova classificação filogenética APG , é natural que alguns nomes da classificação clássica , entrem em desuso .
O género Lupinus compreende cerca de 200 espécies e encontra-se espalhado por toda a Europa , na região mediterrânica ocidental , África , América do Sul e América do Norte e Austrália, entre outros , consoante as espécies . Para além da espécie , existem ainda atribuídas sub-espécies, variedades, sub-variedades e formas . Geralmente a variedade distingue-se pela cor da semente e da flor e as sub-variedades pela cor das partes vegetativas e o factor ausência ou presença de antocianinas . Nesta área existem tantos nomes que não me atrevo a aprofundar mais a questão ...
Existem lupins das mais variadas cores . As variedades de jardinagem são as que apresentam maior gama de cores , desde vermelhos , rosas de vários tons , amarelos intensos , brancos , azuis e violetas . Já as flores dos lupins selvagens variam entre tons brancos , amarelos e azul arroxeados .
Mais uma planta silvestre a mostrar um ar de sua graça . A morugem como lhe costumam chamar , é muito apreciada pelas galinhas e pelos pássaros em geral , daí um dos seus nomes vulgares em inglês ser " chickweed" , ou por exemplo em português "erva-canária".
No meu ver , existe algum contrasenso neste caso , pois é precisamente devido ao seu alto teor em saponinas que foi proibido o seu uso , sendo até considerada como tóxica em Espanha . Por cá , especialmente na zona norte do país , sei que é muito apreciada em saladas e continua a ser consumida , sem que tenha havido registo de casos de intoxicação . São também , longamente conhecidas , (já desde o tempo de Dioscórides , no primeiro século da nossa era ), as suas propriedades tonificantes (no caso de fadiga ou esgotamento ) e emolientes ( no caso de gastrites , para proteger a mucosa do estômago ) . No fim de contas , o seu uso mais seguro será , quando usado externamente , sob a forma de cataplasmas . Aplica-se nestes casos , com grande sucesso , para eliminar a inflamação da pele , devida a contusões , irritações ou queimaduras solares e químicas .
O nome botânico desta "espiga " colorida é Trifolium incarnatum . Esta foto foi tirada á cerca de 2 anos quando ainda nem fazia intenções de construir este blog . Na altura chamou-me a atenção pela cor avermelhada intensa das suas flores a ondular ao vento . A foto foi tirada em Maio quando se encontrava em plena floração .
É conhecida nos outros países da Europa e América pelos nomes de : italian - clover , crimson - clover ou scarlet- clover (clover = trevo ) ; tréfle incarnat , tréfle de Roussillon (em França ). O trevo- encarnado é uma planta nativa da Europa que se desenvolve principalmente nas margens das florestas , campos e beiras de estradas . Inicialmente uma planta silvestre , foi introduzido na América como forragem para o gado por conter um elevado nível de proteínas .
É usado também como cobertura , para melhoramento de terrenos por conter , tal como a maioria das leguminosas , nódulos radiculares de Rhizobium , uma bactéria que fixa o nitrogénio atmosférico para o converter em nitratos assimiláveis pela planta . Como geralmente o nitrogénio é um dos elementos que mais vezes se encontra em quantidades insuficientes no solo , uma simbiose deste género torna o terreno mais fértil e receptivo a novas plantações ; especialmente na agricultura biológica em que , não são adicionados fertilizantes químicos ao solo , esta planta é uma mais-valia na optimização de culturas .
Botânica :
Pertence ao género Trifolium , que engloba cerca de 300 especies ( não existente um consenso quanto ao número exacto ).
- Este género inclui-se na sub-família Faboideae ( nome alternativo = Papilionoideae ) , que por sua vez pertence á terceira maior família de plantas chamada de Fabaceae , (também designada de Leguminosae , na nomenclatura clássica ) .
Cultivo :
Dá-se bem em solos neutros com ph entre 6.5 e 7.5 e quando cultivada em solos mais alcalinos tem tendência a sofrer de clorose férrica ( dificuldade de assimilação de ferro que provoca amarelecimento das folhas ).O ideal será o cultivo em terrenos bem drenados , pois outras das doenças que afectam este trevo são de origem fúngica devido ao Fusarium oxysporum e F. sp.p. ou a podridão de raiz ( Selerotinia trifoliorum ).
Notas: Alguns tipos de Trifolium , principalmente o Trifolium subterraneum , contêm isoflavonas de acção estrogênica , que poderão ser prejudiciais quando utilizados nos pastos para o animais . Os fitoestrogénios dessas leguminosas aumentam na Primavera, na fase de crescimento, e diminuem na fase de floração da planta .
É uma planta que apresenta alguma toxicidade se não for usada correctamente e como tal o seu consumo deverá ser sempre acompanhado por um profissional de Fitoterapia . Ainda ssim enumerarei alguns aspectos medicinais desta planta meramente como informação adicional . Geralmente as partes utilizadas da planta são as folhas e as flores e nunca a parte da raíz .
Esta planta silvestre , que tão comumente é chamada de erva-daninha , tem o nome de Spergula arvensis , que vem do latin "spergere" que sigifica espalhar .
Provavelmente tal nome deve-se ao facto de esta planta , num só ano , produzir de duas a dez mil sementes que podem permanecer viáveis no solo , por cerca de 15 anos . Fica explicado então , como uma planta que sendo nativa da Europa , se dissiminou tão facilmente por todo o mundo . Actualmente encontra-se espalhada pela Europa, Ásia , norte e sul de África , Áustrália e Nova Zelândia e até no Círculo Ártico . Apesar de resistentes e numerosas , as suas sementes não têm tendência a se dissiminar por longas distâncias , tal tarefa , fica a cargo de alguns animais , que as transportam no tracto intestinal e principalmente ao homem que foi o responsável pela sua introdução na América e na Austrália , enre outros.
Português : erva-aranha , cassarelo, corga, esparguta .
Inglês : corn- spurry , stickwort , starwort , sandweed , pickpurse , pinecheat , powerty-weed .
Japonês : Noharatumekusa
Francês : Espargoutte des champs
Sinonimia : Spergula vulgaris Boenn , Spergula sativa Boenn , Spergula maxima veihe , Spergula linicola Boreau .
Família : Caryophyllaceae
Género : Spergula
Existem diversas variedades desta espécie que diferem entre si na morfologia das sementes , flor e na quantidade de "pêlos"que cobrem a planta .
Esta erva é muito fácil de identificar pela disposição das folhas , que são muito estreitas e compridas e que se juntam em forma de auréula á volta do caule . As suas flores possuem cinco pétalas de cor branca e cinco sépalas de cor mais esverdeada , e têm entre 5 a 10 estames , sendo mais raro a ocorrência só de 5 estames.
É um planta hermafrodita , isto é possui estames e carpelos na mesma flor .
- Cultivo :
Prefere solos ácidos ou neutros , dando-se bem também em solos muito ácidos , não é exigente com o terreno e necessita de muita luz para crescer e florir , não existindo em lugares de sombra .
Segundo algumas fontes , esta planta possui propriedades diuréticas , não se encontrando , contudo , referências importantes á sua utilização nesta área .
As suas sementes e provavelmente as flores contém saponinas , uma substãncia , que apesar de tóxica , não é significativamente absorvida pelo organismo e por isso é facilmente eliminada sem causar danos
Cultivo:
A gilbardeira , como é comumente chamada , é um arbusto que cresce principalmente em terrenos calcários e em florestas de azinheiras ou sobreiros , como se vê na foto acima . Existe por toda a Europa Central e Meridional , crescendo particularmente bem nos nossos bosques . É também conhecida por outros nomes , como : gilbarbeira , erva-dos-basculhos ou azevinho-menor .
Pertence ao género Ruscus e á especie Ruscus aculeatus L.
Tem caules erectos que chegam a atingir , na maturidade da planta , cerca de 1 metro de altura . O pormenor mais curioso deste arbusto , é que aquilo que consideramos nele como folhas , são na realidade , pseudofolhas , a que os botânicos chamam de filocládios , e sobre os quais , se desenvolverão mais tarde as flores e as bagas vermelhas . As verdadeiras folhas são quase imperceptiveis , e distribuem-se ao longo do caule da planta como se fossem pequenas escamas .Os filocládios têm a particularidade de suas extremidades serem muito aguçadas , de tal maneira que basta encostar a pele á planta , para sair de lá todo arranhada ( como pude comprovar no dia em que tirei estas fotos ).
Actualmente a família Ruscaceae engloba 476 espécies distribuidas por 26 géneros , sendo o género Ruscus um deles . Para mais informação sobre a nova nomenclatura ver o site : http://www.mobot.org/MOBOT/Research/APweb/
Propriedades medicinais :
A raiz da gilbardeira é considerada actualmente , como a planta com maior acção tónica sobre as veias , entrando por isso na composição de numerosos medicamentos para problemas de insuficiência venosa . A sua acção vasodilatadora e anti-inflamatória deve-se á presença de saponinas esteróidicas e ruscogeninas , respectivamente .
Existem , hoje em dia , numerosos preparados com esta planta disponiveis nas farmácias e ervanárias , facilitando assim o seu uso como planta medicinal .
Cultivo :
Uma vez que se trata de uma planta silvestre , quando cultivada em casa , principalmente em vaso , necessita de algum adubo . No seu habitat natural , a gilbardeira , retira os nutrientes do solo enriquecido pelas camadas de turfa , e como tem um crescimento muito vigoroso , quando cultivada em vaso , é natural que necessite de um bom substrato . Para além disso , necessita de alguma humidade nas raízes e deve ser cultivada em meia-sombra ( reproduzindo mais uma vez as características de seu habitat natural ). Produz bagas no final e durante os primeiros meses do ano .
O medronho é um fruto de crescimento lento , levando por vezes até 10 meses a amadurecer...
Nomes comuns : ervedo , êrvedo . -Inglaterra: strawberry tree. -Brasil : árvore-dos-morangos -França : arbousier , arbre du fraises . - Espanha : alborocera , albornio , madroño , arbol de las fresas
Botãnica:
Família : Ericaceae
Género : Arbutus
Espécie : Arbutus unedo
Arbusto que pode ir até aos 10 metros de altura , embora o mais vulgar , seja os arbustos serem de porte mais pequeno . As folhas são lanceoladas de 5-10 cm de comprimento , lustrosas , de cor verde escuro por cima e mais claras por baixo . Os troncos e ramos são de cor castanha - avermelhada e apresentam uma superficie muito irregular "escamosa " (principalmente nos ramos mais velhos ) em que se consegue tirar pequenas lascas de casca . As flores de cor branca esverdeada , que mais parecem pquenos guizos , apresentam-se em cachos , pendentes e são muito atractivas para os insectos polinizadores . Os seus frutos são globosos , de cor verde no início , depois amarelos e finalmente vermelho escuro e têm um aspecto que mais parece uma cobertura de espinhosa .
Cultivo : É usado em jardins principalmente pela beleza das suas flores que em conjunto com os frutos maduros e as folhas verdes lustrosas , o tornam um arbusto muito bonito .
Precisa de sol pleno para se desenvolver bem e para florir , embora a espécie geralmente só dê flor com cerca de 10 anos de cultivo .
Propriedades medicinais :
- Contém um tipo de glicósido fenólico , chamado arbutina , que lhe confere uma acção anti-séptica e anti-inflamatória . Usa-se para combater infecções urinárias , cistites e como ajudante nos cálculos e consequentes cólicas renais .
- A antocianina (ou glicósido antocianínico ) actua igualmente como anti-sépica , anti-inflamatória e protectora dos capilares .
O único senão no consumo dos frutos , é que os medronhos podem chegar a conter 0.5% de álcool , pois o processo de fermentação pode iniciar-se na própria árvore . Por isso , e pelo efeito muito adstringente não convém abusar , senão , em vez de medicinal dará uma valente dor de barriga ...