Porque um jardim jamais está completo , até nos dias mais cinzentos , uma flor desponta para nos lembrar que uma nova estação repleta de cor e de aromas doces se avizinha. Mesmo quando o frio e a penumbra parecem ter vindo para ficar , o nosso jardim nunca dorme... e em breve, explodirá numa paleta de cores que quase nos faz desejar que permaneça assim para sempre , florido e exuberante. Talvez a maior lição que a Natureza nos ensina , é que a transformação é a única coisa que permanece.
Tem o nome vulgar de paineira ou árvore -de-lã , este último devido ás suas sementes que quando abrem apresentam muitos filamentos sedosos para facilitar a dispersão pelo vento que nos fazem lembrar uma bolinha de algodão .
Este exemplar achei-o no jardim do Museu de Fotografia Carlos Relvas na Golegã .
De nome Chorisia speciosa , esta árvore de grande porte pode atingir até 30 metros de altura e é originária da América do Sul , Argentina e Brasil .
Nas belíssimas terras lá para os lados do Oriente , nasceram á muito , muito tempo atrás , árvores majestosas de folha elegantemente recortada e com cores tão bonitas , que ainda hoje , seja em que parte do mundo for que estejamos , quando ao pé delas , parecemos directamente transportados no espaço para a magnificiência que é um jardim japonês.Em meados do Outono as folhas cor de vinho dão lugar a tons cor de laranja avermelhado.
Apesar de imediatamente associarmos esta árvore a estas paragens e de haver algumas espécies originárias do norte do Japão , a família Aceraceae é composta por cerca de 120 espécies com distrubuição pelo mundo inteiro : Europa , norte de África e América do Norte e Central .
Nesta família de plantas , existe de tudo , desde espécies ameaçadas de extinção até outras que são consideradas invasivas (em alguns locais , diga-se ).
Como espécie vulnerável temos por exemplo , o Acer duplicatoserratum , ou o Acer pycnanthum .Este último cresce no Japão e é uma espécie ameaçada , vulgarmente conhecida por Hana no ki . Considerado muito raro , está agora confinado a uma pequena parte da ilha Honshu e alguns especimens são até protegidos por vedações , sendo considerados como "monumentos naturais nacionais ".
Muitas outras espécies estão igualmente em perigo , tais como o Acer erythranthum da Indonésia ou o Acer caesium dos Himalaias , devido ao corte para exploração de madeiras .
Nunca é demais lembrar por isso que , ao comprar a sua mobília se informe do tipo de madeira que é e se possível a sua proveniência . Acho que chegou a altura de tentar retribuir tudo de bom que as árvores , os grandes pulmões da humanidade , fazem por nós .
Foto acima de: http://www.kepguru.hu/
Esta espécie , a Liriodendron tulipifera é originária dos Estados Unidos , a este do Rio Mississipi . Podemos encontrá-la desde o estado de Illinois , passando por New England até ao sul da Florida e Louisiana .
Das espécies de árvores nativas dos U.S. é uma das maiores e mais bonitas , talvez por isso foi escolhida para representar os estados de Indiana , Kentucky e Tennessee .
Este exemplar da foto , cresce á muitos anos no jardim das Portas do Sol , em Santarém .
Botânica :
É uma árvore com um crescimento muito vigoroso ; exemplares que crescem nas florestas virgens das Appalachian Mountains ( um sistema de montanhas na zona oriental da América do Norte ) são conhecidos por alcançarem mais de 50 metros de altura . Trata-se por isso de uma espécie pouco adequada a quem tem um jardim pequeno .
Existem da espécie L.tulipifera 2 variedades : a "Aureomarginatum " , com folhas marginadas de amarelo e a "Fastigiatum " ( uma variedade premiada em jardinagem ) com um porte mais erecto e que cresce apenas até cerca de metade do que as suas congéneres .
As suas características folhas , parecem ter sido cortadas nas pontas com uma tesoura , são diferentes de todas as outras e por isso facilmente identificavéis , além disso as flores que aparecem por volta de Maio/ Junho fazem lembrar uma tulipa ( e tal como no bolbo , crescem solitárias na ponta dos galhos da árvore ) , fazendo jus ao nome comum que lhe foi atríbuido . Quando é chegado o Outono as suas folhas transformam-se em tons de amarelo dourado .
Cultivo :
Esta árvore cresce muito bem em solo fértil e ligeiramente ácido e em climas temperados com algum sol ou sombra parcial ; tal como nas florestas , onde se protegem umas ás outras , dos ventos agrestes e do sol em demasia .
Podemos propagá-la através de semente , que aparece em cápsulas castanhas e cónicas após as flores . As sementes , são facilmente dispersas pelo vento e conseguem "viajar" por vezes cerca 4 a 5 vezes a altura da árvore -mãe , para além disso , podem permanecer viáveis por cerca de 5 a 6 anos . Factos , que abonam muito a favor , da conservação desta espécie .
Plante as suas sementes no Outono , assim terá uma bela plantinha quando chegar a Primavera . Se por outro lado , decidir esperar até á Primavera para fazer a sementeira , o mais provavél é que só tenha uma nova planta passado um ano .
Se preferir poderá ainda usar a estaquia , que resulta igualmente bem .