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terça-feira, 9 de junho de 2009

Pervinca



Modestamente discreta , esta pequena planta silvestre esconde nas suas folhas luzidias , muitas propriedades benéficas que fazem com que seja actualmente usada em diversos preparados farmacológicos .
Estas contém vincamina , um notável alcalóide indólico de propriedades vasodilatadoras para além de outros 35 alcalóides recentemente identificados e alguns taninos de acção adstringente .
Penso que a espécie da foto se trata de Vinca minor uma das sete espécies existentes dentro do género Vinca . Uma das características deste género são as suas folhas opostas ( duas folhas saem do mesmo nó ) e lanceoladas ( em forma de lança ) , perenes e de bordos lisos em caules rasteiros de até 2 metros de comprimento . As flores são conforme as espécies de cor violeta , azuis , rosa e brancas . Este género é oriundo do norte de África , Ásia e Europa . A espécie Vinca minor tem o seu habitat natural mais concretamente na Rússia , Europa e Cáucaso nos bosques húmidos de carvalhos e faias . Existe também na América do Norte mas não na forma selvagem e sim cultivada para fins medicinais . Tem vastas aplicações entre as quais :
  • vasodilatador das artérias cerebrais , aumentando a irrigação sanguínea e melhorando o funcionamento do sistema nervoso central . É também hipotensora aplicando-se com exito em casos de zumbidos nos ouvidos , dores de cabeça e vertigens . Usa-se para combater os transtornos da senelidade devidos á arteriosclerose . Foi recentemente demonstrado que a vincamina atravessa a barreira hematoencefálica actuando no interior do tecido cerebral e melhorando a oxigenação dos neurónios , sendo por isso usada em fármacos para o tratamento da irrigação sanguínea insuficiente .
  • tem um efeito adstringente e hemostático usando- se externamente (em caso de feridas sangrantes , hematomas e contusões ) para reduzir a hemorragia . Há muito anos atrás quando ainda não haviam fármacos tão avançados no tratamento da tuberculose , a pervinca era usada para tratar as hemorragias bronquiais .
  • nos diabetes apresentam em efeito moderado na redução do nível de glicose no sangue , sendo óptima para complementar o regime dietético adequado.
  • finalmente e não muito usual nesta aplicação , é antilactagoga ou seja pára a produção de leite nas mulheres lactantes . Costuma ser usada mais em casos de mastite.
Curiosidade : Existe uma espécie de Vinca , que em Espanha é conhecida como 'brusela ', 'flor-del-principe' , 'vicária' , 'buenas tardes' , 'dominica' ou 'hierba doncella' que tem efeitos antimitóticos .
Trata-se da Vinca rosea L. e é originária de Madagáscar . Foi levada para a América para cultivo onde começou a ser utilizada para impedir a reprodução de células cancerosas no tratamento de leucemias , linfomas ( doença de Hodgkin entre outros ) e sarcomas . O seu uso neste domínio encontra-se porém ainda em fase experimental .
Cultivo :
O seu cultivo é relativamente fácil , gosta de terrenos bem drenados , com alguma matéria orgânica e dá-se bem tanto na sombra como em pleno sol . Autopropaga-se facilmente através dos caules que se espalham no solo emitindo novas raízes .

domingo, 1 de junho de 2008

Tapete vermelho




Todos os dias passo por este bonito campo de papoilas ... Ainda que a foto não esteja perfeita , não poderia deixar de partilhar esta bonita paisagem . Disseram -me um dia que a Natureza é sábia no que faz ... e de vez em quando dá-nos este alimento para a alma ... a oportunidade de contemplação ...



segunda-feira, 10 de março de 2008

Erva - andorinha

  • Botânica :
A celidónia é uma planta herbácea vivaz , da família das Papaveráceas ( a mesma das papoilas ), que atinge entre 30 a 70 cm de altura e tem os caules cobertos de " pêlos ". Floresce nesta altura do ano e tem flores pequeninas que aparecem em grupos de 2 a 6 , e os seus frutos são cápsulas com cerca de 5 cm , com pequenos apêndices brancos ricos em óleo , que lhes servem para que as formigas os dispersem .
Nome ciêntifico : Chelidonium majus L. Género : Chelidonium

  • Nomes vulgares : Portugal : erva-andorinha , erva-das-verrugas , quelidónia , quelidónia-maior , ceruda Madeira : cedronho Espanha : Celidonia mayor , hierba celidonia , hierba verruguera , hierba de la golondrina . França : chélidoine , herbe d'hirondelle Inglaterra : (greater ) celandine

Conheci pela primeira vez esta planta , através da minha mãe . Ela havia lhe sido dada á pouco tempo , e como sabe que também gosto destas coisas , chamou-me e mostrou-me a nova aquisição do seu jardim .Curiosamente, chamou-lhe " planta do mercurocromo " ; acho que nesse dia nasceu mais um nome vulgar de uma planta que até então nos era desconhecida .

O porquê desse nome , é que a seiva da célidónia é muito invulgar ...quando se corta qualquer parte desta planta , ela liberta um látex de cor amarelo-alaranjado que faz lembrar uma tintura .

  • Propriedades medicinais :

Foi por volta do séc.I d.C. que Discórides , reparou que as andorinhas usavam esta planta para tocar nos olhos dos filhotes , facultando-lhes a vista . Curiosidade desperta , e foi um passo para que estudos fossem feitos acerca da celidónia .

O látex que se desprende de toda a planta contém , cerca de 10 alcalóides dos quais o mais activo é a quelidonina . Tem propriedades coleréticas ( que aumenta a quantidade de bílis segregada pelo fígado , facilitando a digestão das gorduras ) , antiespamódicas ( que impede os espasmos dos orgãos ocos , como o estõmago , vesícula ou bexiga , evitando assim as cólicas ), sedativas e ligeiramente soporíferas ( indutoras do sono ) .

No entanto , devido á sua toxicidade, e ao facto , de ter de ser muito bem doseada , o seu uso generalizou-se mais por via externa , por não apresentar tantos riscos .

A seiva da planta pode aplicar-se directamente na pele , sobre a zona afectada , desde que não hajam feridas abertas .

Tem propriedades antimitóticas ( que impede a divisão (reprodução ) de células , por exemplo cancerosas ) , é por isso muito usada para tratar calosidades e verrugas ; e é antivírica , revelando bons resultados nos casos de herpes , mesmo os mais difíceis de tratar .

  • Habitat e cultivo :

Gosta de solos ricos em nutrientes , e cresce geralmente em muros húmidos e sombrios , escombros e beiras do caminho . É uma planta originária da costa Mediterrânica , que se encontra naturalizada na América do Norte e em toda a Europa . Em Portugal encontra-se quase por todo o país , do norte ao sul .

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

Olhó bom do tremoço ...

É por esta altura do ano que as espigas coloridas e de aroma doce do Lupinus Luteus voltam a surgir para nos animar , mesmo a tempo de dar as boas vindas a todos os seres que "acordam " com a Primavera .
E é ver , em plena azáfama , os insectos atraídos pelas suas cores brilhantes de volta das suas flores . Iludidos , pois a flor da tremocilha apesar de tão bonita não contém néctar , somente um líquido adocicado , mas vendo bem ... acho que eles não se importam ...



  • Botânica : A tremocilha, ou melhor dizendo , o Lupinus luteus pertence á família botânica Fabaceae . Esta última , é a 3ª maior família de plantas existente , englobando cerca de 730 géneros , e divide-se em 3 sub-famílias , sendo uma das quais a Faboideae ( ou Papilionoideae , nome alternativo aprovado pela Internacional Code of Botanical Nomenclature ) da qual o Lupinus faz parte .
O nome deste género , Lupinus , vem da palavra latina Lupus , que significa lobo ; é que as suas folhas , se olharmos com atenção , fazem lembrar uma pegada de lobo .
É comum , que consoante a literatura consultada , surjam vários nomes de famílias , daí ser , por vezes difícil , descortinar qual a mais correcta ; ainda que diferentes , todas estas classificações estão correctas , mas com o surgir da nova classificação filogenética APG , é natural que alguns nomes da classificação clássica , entrem em desuso .
O género Lupinus compreende cerca de 200 espécies e encontra-se espalhado por toda a Europa , na região mediterrânica ocidental , África , América do Sul e América do Norte e Austrália, entre outros , consoante as espécies . Para além da espécie , existem ainda atribuídas sub-espécies, variedades, sub-variedades e formas . Geralmente a variedade distingue-se pela cor da semente e da flor e as sub-variedades pela cor das partes vegetativas e o factor ausência ou presença de antocianinas . Nesta área existem tantos nomes que não me atrevo a aprofundar mais a questão ...

  • Distribuição :
É uma planta que se adaptou bem e proliferou um pouco por todo o mundo , devido ás suas capacidades de resistência , principalmente á seca . Algumas espécies crescem até nos desertos do Arizona, Oregon , Texas , California e New Mexico , nos desertos do Peru e Chile e nos oásis do Sakhara . Crescem bem a sol pleno , em zonas moderadamente fertéis ou solos pobres e arenosos em todo o tipo de locais desde campos, clareiras de florestas , montanhas , falésias , margens dos rios ou zonas costeiras . A maior diversidade das suas espécies estão concentradas , imagine-se , nas zonas alpinas das Cordilheiras dos Andes , comprovando , mais uma vez, a sua grande adaptabilidade .
Características da planta:

Existem lupins das mais variadas cores . As variedades de jardinagem são as que apresentam maior gama de cores , desde vermelhos , rosas de vários tons , amarelos intensos , brancos , azuis e violetas . Já as flores dos lupins selvagens variam entre tons brancos , amarelos e azul arroxeados .
Por exemplo , o Lupinus albus tem flores brancas , o Lupinus luteus que é o das fotos acima tem flores amarelas e o Lupinus angustifolius que também se encontra muito em Portugal , tem flores azul arroxeadas .
Uma característica desta planta , é o facto de , tal como todas as leguminosas , ter a capacidade de melhorar os solos em que se encontra . As suas raízes principais , que alcançam uma profundidade de 1 a 2 metros , contêm nódulos de bactérias Bradyrhizobius sp. que fixam o nitrogénio do ar , transformando-o em azoto assimilável pelas plantas . Por isso , são muitas vezes usadas como cultura de poisio , para melhorar os solos entre colheitas .
  • E agora "last but not least " os famosos tremoços , pois é ... é daqui que vêem os tremoços que estamos habituados e que sabem tão bem...
Mas algo que eu não sabia , é que os tremoços , por si só , são tóxicos . Têm um elevado teor de alcalóides , como a anagirina e a espartéina , entre outros , que dão , no mínimo uma intoxicação alimentar com dores de barriga , náuseas , vómitos , tonturas e , para não falar do resto ...
Mas não se assustem os consumidores de tal aperitivo , pois por alguma razão , temos andado estes anos todos a comer tremoços demolhados . É que , todas essas toxinas desaparecem no fim de levados a "cozer" , ou colocando-os em água salgada por um bom tempo . Se não passarem por esses processos , são completamente intragáveis e tóxicos . Afinal , tudo tem uma razão de ser ....

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

Salpicos de branco


Os dias começam agora a ser maiores , lentamente saímos dos meses de Inverno e damos as boas vindas ao sol . Nesta altura os campos começam a vestir-se de verde e uns salpicos de cor branca espreitam aqui e acolá .... é a Stellaria media L. Villars .
Mais uma planta silvestre a mostrar um ar de sua graça . A morugem como lhe costumam chamar , é muito apreciada pelas galinhas e pelos pássaros em geral , daí um dos seus nomes vulgares em inglês ser " chickweed" , ou por exemplo em português "erva-canária".
  • Nomes vulgares :
Como é já de prática corrente, a sabedoria popular atribui nomes comuns á plantas , e no caso desta , a lista é extensa . A seguir enumero alguns :
- Português: morugem , morugem -vulgar , morugem branca , morugem verdadeira , erva-moleira , orelha-de-toupeira , erva-canária , olho-de-toupeira , moruge . - Inglês : chickenwort , craches , maruns , winterweed , comon chickweed . - Espanha : álsine , pamplina de canarios , berrilo , quilloiquilloi , pajarera , hierba de los canarios , picagallina . - Francês : stellaire , mouron blanc , mouron des oiseaux .
  • Sinonímia : é também conhecida pelos nomes - Alsine media L . , Stellaria apetala
A Stellaria é nativa dos campos da Europa mas actualmente encontra-se espalhada por todo o mundo ; onde quer que exista um bom campo de cultivo lá está ela , pronta a troçar dos agricultores que lhe chamam de erva-daninha .
  • Botânica :
Pertence á família botânica das Cariofiláceas , e dentro do mesmo género , existem estas duas espécies , a S. graminea e a S. holostea ( folhas mais finas ) que são muitas vezes confundidas com a S. media . As suas flores têm uma particularidade , á primeira vista , cada pétala parece duas . Isto acontece porque são bipartidas na base e como as flores são tão pequeninas confunde-se facilmente . As sépalas são de cor verde e na maioria dos casos estendem-se para além da orla das pétalas , fazendo lembrar uma estrela . Mas ao contrário destas que só aparecem á noite , as flores da morugem , fecham e só tornam a abrir na manhã seguinte . Por vezes , quando o céu fica carregado de nuvens , em dias de inverno , e o tempo escurece de repente , lá tornam elas a fechar .
  • Propriedades medicinais :
Segundo alguma literatura , a morugem é usada para fins medicinais , por ser rica em sais minerais e oligoelementos (especialmente magnésio , potássio , silício , cobre , ferro e fósforo ) e em vitaminas do grupo C e B . Mas é devido ao seu teor em saponinas ( do latim saponem , sabão ) que se deve a maior parte das suas propriedades .
No meu ver , existe algum contrasenso neste caso , pois é precisamente devido ao seu alto teor em saponinas que foi proibido o seu uso , sendo até considerada como tóxica em Espanha . Por cá , especialmente na zona norte do país , sei que é muito apreciada em saladas e continua a ser consumida , sem que tenha havido registo de casos de intoxicação . São também , longamente conhecidas , (já desde o tempo de Dioscórides , no primeiro século da nossa era ), as suas propriedades tonificantes (no caso de fadiga ou esgotamento ) e emolientes ( no caso de gastrites , para proteger a mucosa do estômago ) . No fim de contas , o seu uso mais seguro será , quando usado externamente , sob a forma de cataplasmas . Aplica-se nestes casos , com grande sucesso , para eliminar a inflamação da pele , devida a contusões , irritações ou queimaduras solares e químicas .



domingo, 17 de fevereiro de 2008

Trevo - encarnado

O nome botânico desta "espiga " colorida é Trifolium incarnatum . Esta foto foi tirada á cerca de 2 anos quando ainda nem fazia intenções de construir este blog . Na altura chamou-me a atenção pela cor avermelhada intensa das suas flores a ondular ao vento . A foto foi tirada em Maio quando se encontrava em plena floração .

É conhecida nos outros países da Europa e América pelos nomes de : italian - clover , crimson - clover ou scarlet- clover (clover = trevo ) ; tréfle incarnat , tréfle de Roussillon (em França ). O trevo- encarnado é uma planta nativa da Europa que se desenvolve principalmente nas margens das florestas , campos e beiras de estradas . Inicialmente uma planta silvestre , foi introduzido na América como forragem para o gado por conter um elevado nível de proteínas .

É usado também como cobertura , para melhoramento de terrenos por conter , tal como a maioria das leguminosas , nódulos radiculares de Rhizobium , uma bactéria que fixa o nitrogénio atmosférico para o converter em nitratos assimiláveis pela planta . Como geralmente o nitrogénio é um dos elementos que mais vezes se encontra em quantidades insuficientes no solo , uma simbiose deste género torna o terreno mais fértil e receptivo a novas plantações ; especialmente na agricultura biológica em que , não são adicionados fertilizantes químicos ao solo , esta planta é uma mais-valia na optimização de culturas .

Botânica :

Pertence ao género Trifolium , que engloba cerca de 300 especies ( não existente um consenso quanto ao número exacto ).

- Este género inclui-se na sub-família Faboideae ( nome alternativo = Papilionoideae ) , que por sua vez pertence á terceira maior família de plantas chamada de Fabaceae , (também designada de Leguminosae , na nomenclatura clássica ) .

Cultivo :

Dá-se bem em solos neutros com ph entre 6.5 e 7.5 e quando cultivada em solos mais alcalinos tem tendência a sofrer de clorose férrica ( dificuldade de assimilação de ferro que provoca amarelecimento das folhas ).O ideal será o cultivo em terrenos bem drenados , pois outras das doenças que afectam este trevo são de origem fúngica devido ao Fusarium oxysporum e F. sp.p. ou a podridão de raiz ( Selerotinia trifoliorum ).

Notas: Alguns tipos de Trifolium , principalmente o Trifolium subterraneum , contêm isoflavonas de acção estrogênica , que poderão ser prejudiciais quando utilizados nos pastos para o animais . Os fitoestrogénios dessas leguminosas aumentam na Primavera, na fase de crescimento, e diminuem na fase de floração da planta .

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008

Erva - pombinha

Hoje venho falar de uma " ervinha " muito vulgar que cresce pelos nossos campos . Podemos vê-la em campos de cultivo , de pousio , nas beiras dos caminhos ou até mesmo nos jardins quando os terrenos são ricos em nutrientes , argilosos e até arenosos . A planta da foto , por exemplo , está num terreno arado e argilo - arenoso e todos os anos elas lá crescem espalhadas aqui e acolá . É originária da Europa e Ásia mas actualmente cresce também na América do Norte .
  • Nomes comuns : Erva-molarinha , erva-pombinha , fumo - da- terra , moleirinha . Em Espanha : fumaria, palomilla , flor de pajarito , hierba de conejos . Em Inglês : fumitory , earth smoke . Em França : fumeterre . Muitos dos seus nomes comuns devem-se a factos reais como por exemplo ser o principal alimento de algumas espécies de aves ou o facto de quando é torcida ou esmagada a planta fazer chorar como se fosse fumo .

  • Botânica :Fumaria officinallis - género Fumaria e pertence segundo a classificação clássica á familia das Fumariáceas e segundo a classificação APG II á família Papaveraceae e sub- família Fumarioideae .
Esta planta é uma herbácea anual com flores individuais de 7 a 8 mm que em grupos de 20 a 30 formam a haste floral . As suas folhas são de um verde-azulado em ambos os lados .
A fumária começa a florir no início do ano e prolonga a sua floração até meados de Outubro .
  • Propriedades medicinais :

É uma planta que apresenta alguma toxicidade se não for usada correctamente e como tal o seu consumo deverá ser sempre acompanhado por um profissional de Fitoterapia . Ainda ssim enumerarei alguns aspectos medicinais desta planta meramente como informação adicional . Geralmente as partes utilizadas da planta são as folhas e as flores e nunca a parte da raíz .

  1. É usada pelas suas propriedades anti -inflamatórias e anti-histamínicas ( por conter alacalóides derivados da isoquinoleína - fumarina ) em eczemas e erupções da pele .
  2. Em afecções hepáticas como a congestão ou mau funcionamento do fígado , devido ao seu efeito colerético ( estimulante da secreção da bílis ).
  3. Na hipertesão arterial por ser uma planta com efeitos diuréticos e depurativos ( devido ao seu elevado teor em sais de potássio ), antiespamódicos e fluidificantes do sangue .

sábado, 9 de fevereiro de 2008

Floração de época

Este fim -de-semana , finalmente , rendeu-se ao tempo de sol , e como tal , lá fui eu para mais uma expedição fotográfica . Fui encontrar esta pequena planta a crescer radiante como se já fosse Primavera , formando um tapete de branco alvo e frágil , e no meio das suas flores , uma habitual joaninha , tão benéfica para os nossos jardins .

Esta planta silvestre , que tão comumente é chamada de erva-daninha , tem o nome de Spergula arvensis , que vem do latin "spergere" que sigifica espalhar .

Provavelmente tal nome deve-se ao facto de esta planta , num só ano , produzir de duas a dez mil sementes que podem permanecer viáveis no solo , por cerca de 15 anos . Fica explicado então , como uma planta que sendo nativa da Europa , se dissiminou tão facilmente por todo o mundo . Actualmente encontra-se espalhada pela Europa, Ásia , norte e sul de África , Áustrália e Nova Zelândia e até no Círculo Ártico . Apesar de resistentes e numerosas , as suas sementes não têm tendência a se dissiminar por longas distâncias , tal tarefa , fica a cargo de alguns animais , que as transportam no tracto intestinal e principalmente ao homem que foi o responsável pela sua introdução na América e na Austrália , enre outros.

  • Utilizações :Foi utilizada inicialmente como planta forrageira , para grandes explorações de gado , mas dissiminou-se em tão grande escala , que hoje , é considerada em muitos países como infestante , principalmente em terrenos de cultivo , que são o seu habitat preferido . Apesar disso , continua em alguns locais , como no Brasil , a ser usada como planta de cobertura para terrenos de poisio , com a finalidade de protecção superficial , manutenção e/ou melhoria das propriedades do solo . Havendo um controlo efectivo da sua dissiminação , esta planta poderá ser usada com esta finalidade , sem que isso venha a ser problemático .
  • Nomes vulgares :

Português : erva-aranha , cassarelo, corga, esparguta .

Inglês : corn- spurry , stickwort , starwort , sandweed , pickpurse , pinecheat , powerty-weed .

Japonês : Noharatumekusa

Francês : Espargoutte des champs

  • Botãnica :

Sinonimia : Spergula vulgaris Boenn , Spergula sativa Boenn , Spergula maxima veihe , Spergula linicola Boreau .

Família : Caryophyllaceae

Género : Spergula

Existem diversas variedades desta espécie que diferem entre si na morfologia das sementes , flor e na quantidade de "pêlos"que cobrem a planta .

Esta erva é muito fácil de identificar pela disposição das folhas , que são muito estreitas e compridas e que se juntam em forma de auréula á volta do caule . As suas flores possuem cinco pétalas de cor branca e cinco sépalas de cor mais esverdeada , e têm entre 5 a 10 estames , sendo mais raro a ocorrência só de 5 estames.

É um planta hermafrodita , isto é possui estames e carpelos na mesma flor .

  • Cultivo :

Prefere solos ácidos ou neutros , dando-se bem também em solos muito ácidos , não é exigente com o terreno e necessita de muita luz para crescer e florir , não existindo em lugares de sombra .

Segundo algumas fontes , esta planta possui propriedades diuréticas , não se encontrando , contudo , referências importantes á sua utilização nesta área .

As suas sementes e provavelmente as flores contém saponinas , uma substãncia , que apesar de tóxica , não é significativamente absorvida pelo organismo e por isso é facilmente eliminada sem causar danos

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2008

Erva-das-vassouras

A gilbardeira , como é comumente chamada , é um arbusto que cresce principalmente em terrenos calcários e em florestas de azinheiras ou sobreiros , como se vê na foto acima . Existe por toda a Europa Central e Meridional , crescendo particularmente bem nos nossos bosques . É também conhecida por outros nomes , como : gilbarbeira , erva-dos-basculhos ou azevinho-menor .

Pertence ao género Ruscus e á especie Ruscus aculeatus L.

Tem caules erectos que chegam a atingir , na maturidade da planta , cerca de 1 metro de altura . O pormenor mais curioso deste arbusto , é que aquilo que consideramos nele como folhas , são na realidade , pseudofolhas , a que os botânicos chamam de filocládios , e sobre os quais , se desenvolverão mais tarde as flores e as bagas vermelhas . As verdadeiras folhas são quase imperceptiveis , e distribuem-se ao longo do caule da planta como se fossem pequenas escamas .Os filocládios têm a particularidade de suas extremidades serem muito aguçadas , de tal maneira que basta encostar a pele á planta , para sair de lá todo arranhada ( como pude comprovar no dia em que tirei estas fotos ).

Quando tentei descobrir a família botânica na qual esta planta se inseria , foi um quebra-cabeças , pois cada literatura designava uma família diferente , resultado... muita pesquisa , mas aqui vai a explicação possível :
  • na Classificação clássica de Cronquist (1981 ) é clasificada como pertencendo á família das Liliáceas
  • na Classificação filogenética APG (1998) foi criada a família das Asparagaceas que passou a incluir o género Ruscus
  • na Classificação filogenética APG (2003 ) inclui-se na sub-familia Ruscaceae .Esta família é considerada opcional e todas a suas plantas podem ser agrupadas na familia Asparagaceae

Actualmente a família Ruscaceae engloba 476 espécies distribuidas por 26 géneros , sendo o género Ruscus um deles . Para mais informação sobre a nova nomenclatura ver o site : http://www.mobot.org/MOBOT/Research/APweb/

Propriedades medicinais :

A raiz da gilbardeira é considerada actualmente , como a planta com maior acção tónica sobre as veias , entrando por isso na composição de numerosos medicamentos para problemas de insuficiência venosa . A sua acção vasodilatadora e anti-inflamatória deve-se á presença de saponinas esteróidicas e ruscogeninas , respectivamente .

  • Externamente , recorrendo a loções ou compressas com a decocção , é muito eficaz na redução da celulite graças aos seus efeitos tonificantes .
  • Aplica-se também em afecções venosas como varizes , flebites, pernas pesadas e edemas (retenção de líquidos ) por induzir uma melhoria da circulação no sistema venoso e fortalecer as paredes dos capilares .
  • Nos casos de gota , litíase renal e artritismo é benéfica , devido ao seu efeito depurativo. Ao facilitar a eliminação do ácido úrico (cujo acúmulo no organismo é responsável pelo aparecimento da patologia vulgarmente denominada como gota ) e ao aumentar o suor produzido pelo organismo , facilita o bom funcionamento do mesmo e consequentemente uma melhor qualidade de vida .

Existem , hoje em dia , numerosos preparados com esta planta disponiveis nas farmácias e ervanárias , facilitando assim o seu uso como planta medicinal .

Cultivo :

Uma vez que se trata de uma planta silvestre , quando cultivada em casa , principalmente em vaso , necessita de algum adubo . No seu habitat natural , a gilbardeira , retira os nutrientes do solo enriquecido pelas camadas de turfa , e como tem um crescimento muito vigoroso , quando cultivada em vaso , é natural que necessite de um bom substrato . Para além disso , necessita de alguma humidade nas raízes e deve ser cultivada em meia-sombra ( reproduzindo mais uma vez as características de seu habitat natural ). Produz bagas no final e durante os primeiros meses do ano .