terça-feira, 5 de maio de 2009

Gerberas

As gerbéras são plantas herbáceas e perenes que nos chegam vindas de África , Ásia e Madagáscar consoante as espécies , que são cerca de 40 .
Foi assim nomeada , em homenagem a Traugott Gerber , um naturalista alemão encarregado de construir o jardim botânico de Moscovo.
Pertencem á família botânica das Compostas ou Asteraceae , a maior de todas as famílias e a única espécie que é comercializada é a Gerbera Jamesonii , ou como lhe costumam chamar , margarida Barberton ou margarida-do-transvaal. Esta espécie em particular , a Gerbera jamesonii é nativa da África do Sul .
Hoje em dia a maioria das plantas comercializadas derivam de cruzamentos que começaram a ser feitos em Cambridge , Inglaterra nos fins do séc. XIX , entre a G.jamesonii e a Gerbera viridifolia , outra espécie tropical de África .
Os cultivares hoje obtidos apresentam variadíssimas cores , alguns deles com flores dobradas com mais do que uma cor . Alguns híbridos chegam a produzir flores quase durante o ano todo .
O seu cultivo deverá ser feito preferencialmente em terreno fértil e de fácil drenagem com boa exposição solar . Devem também estar protegidas das geadas .

segunda-feira, 4 de maio de 2009

Acer

Nas belíssimas terras lá para os lados do Oriente , nasceram á muito , muito tempo atrás , árvores majestosas de folha elegantemente recortada e com cores tão bonitas , que ainda hoje , seja em que parte do mundo for que estejamos , quando ao pé delas , parecemos directamente transportados no espaço para a magnificiência que é um jardim japonês.

Em baixo na foto um exemplar de Acer palmatum atropurpureum a dar as suas primeiras folhas do ano.

Em meados do Outono as folhas cor de vinho dão lugar a tons cor de laranja avermelhado.

Apesar de imediatamente associarmos esta árvore a estas paragens e de haver algumas espécies originárias do norte do Japão , a família Aceraceae é composta por cerca de 120 espécies com distrubuição pelo mundo inteiro : Europa , norte de África e América do Norte e Central .

Nesta família de plantas , existe de tudo , desde espécies ameaçadas de extinção até outras que são consideradas invasivas (em alguns locais , diga-se ).

Como espécie vulnerável temos por exemplo , o Acer duplicatoserratum , ou o Acer pycnanthum .Este último cresce no Japão e é uma espécie ameaçada , vulgarmente conhecida por Hana no ki . Considerado muito raro , está agora confinado a uma pequena parte da ilha Honshu e alguns especimens são até protegidos por vedações , sendo considerados como "monumentos naturais nacionais ".

Muitas outras espécies estão igualmente em perigo , tais como o Acer erythranthum da Indonésia ou o Acer caesium dos Himalaias , devido ao corte para exploração de madeiras .

Nunca é demais lembrar por isso que , ao comprar a sua mobília se informe do tipo de madeira que é e se possível a sua proveniência . Acho que chegou a altura de tentar retribuir tudo de bom que as árvores , os grandes pulmões da humanidade , fazem por nós .

Foto acima de: http://www.kepguru.hu/

domingo, 3 de maio de 2009

Azevinho

Visto ter surgido algumas questões em relação á planta do azevinho resolvi fazer mais este post . Também não tenho muitos conhecimentos especiais acerca desta planta , o pouco que sei aprendi em pesquisas e com a pouca prática que o gosto pela jardinagem me trouxe , mas tentarei transmitir o que penso acerca do assunto . Acerca da problemática de dar ou não flores : tal como já devem ter lido , os azevinhos são plantas dióicas , ou seja necessitam de uma planta macho e outra fêmea para dar flores . Basta um espécime macho na vizinhança para polinizar muitas plantas fêmeas . É um pouco difícil identificar assim á primeira se as flores da planta que tem em casa são fêmeas ou macho mas ao que reparei as flores macho aparecem em cachos com maior quantidade e possuem estames funcionais ( onde está o polén ) , ao passo que as fêmeas aparecem em menor quantidade geralmente nas axilas das folhas e os seus estames são rudimentares não sendo funcionais . Essencialmente há que reparar nos pormenores da parte central da flor .

Aqui fica a lista de alguns sites onde aparecem fotos de flores que facilitam esta distinção :

  • Em baixo , foto que tirei das flores de um azevinho fêmea:

Quanto á questão de ser uma planta difícil de encontrar no Brasil , fica a sugestão de tentar adquirir sementes da planta em lojas online ou em fóruns de jardinagem .

Em resposta á ultima questão que me colocaram , a cor da folha não é um indicativo se é macho ou fêmea , é antes um dos indicativos da espécie . Na foto em cima , calhou por acaso a folha ser variegada e ser fêmea mas podem haver espécies de folha só verde . Na distinção á que focar essencialmente a flor .

terça-feira, 17 de março de 2009

Brincos de princesa II

As três fotos acima são de um exemplar de Fuchsia magellanica . Trata-se de uma espécie com flor mais pequenina , comprida e muito estreitinha , sobretudo se a formos comparar com com os belos exemplares de fuchsias hibridos . Embora a sua flor seja mais discreta , torna-se um arbusto que no conjunto atrai o olhar devido á quantidade de flores que abrem ao mesmo tempo.

Os F. magellanica são originários do Chile e Argentina .

quinta-feira, 12 de março de 2009

Brincos - de - princesa

Existem cerca de 100 espécies destas bonitas plantas de cachos suspensos e coloridos , para não falar nos milhares de híbridos e cultivares que invadiram os mercados nos últimos anos.

São na sua maioria árvores de pequeno porte e arbustos trepadores ou de crescimento expansivo . Alguns são arbustos perenes outros deciduos , com folhas opostas ou alternadas , consoante as espécies . As suas flores crescem a partir das axilas das folhas ou nos terminais dos ramos e são na sua maioria de forma tubular e pendente .

Pertencem á família botânica das Onagraceae e quase todas as espécies chegam-nos dos mais variados locais dentro das Américas Central e do Sul , com apenas 4 espécies da Nova Zelândia e 1 do Tahiti .

No seu habitat natural estas plantas são geralmente polinizadas por beija-flores .

A maioria das espécies americanas de flores grandes habitam áreas de elevada pluviosidade , e crescem em alguns locais como epífetas ou por entre as florestas de líquenes

Alguns cultivares são de forma dobrada e as flores atingem tamanhos muito atractivos que a tornam uma das plantas preferidas para ornamentar os jardins .

Cultivo : A maioria destas plantas não resiste á geada e , até mesmo as espécies que são mais resistentes , dificilmente suportarão um Inverno rigoroso . Um bom truque será construir uma protecção com algumas estacas e um saco de plástico transparente .

  • Consoante as espécies , preferem sol directo ou sombra ligeira , num solo fértil e bem drenado .

É de ter em conta que o nosso clima é muito quente e seco no Verão , por isso , cuidado com aqueles dias de calor mais intenso .

Por outro lado , caso os coloque demasiado á sombra ficarão mais susceptíveis ao desenvolvimento de problemas fúngicos , como por exemplo oídeo .

  • A maneira mais fácil de propagar os brincos-de-princesa , é através de estacas herbáceas na Primavera ou então estacas semi-lenhosas no Verão . Também dá por sementes , embora , a taxa de sucesso seja mais baixa .

No final do Inverno , corte os ramos velhos e fracos para harmonizar a forma da planta e facilitar o crescimento de novos rebentos .

segunda-feira, 9 de março de 2009

Elos invisiveis

O que acontece quando começamos a ler , a ver documentários e a estudar determinadas matérias é que se descobrem num mar de coisas aparentemente isoladas , uma infinitude de elos invisivéis e um universo , que mais parece uma sequência de peças de dominó para derrubar . Falha uma peça e lá se vai o efeito final . Cheguei á conclusão , que afinal nada é independente de nada , tudo acarreta uma consequência . Senão vejamos : como é que o derreter do gelo nos pólos vai provocar uma alteração climática , hum ... á partida não vemos ligação nenhuma , mas ela está lá ... um elo invisível ... mas bem presente no futuro de todos nós .

Ainda há pouco via eu um documentário acerca da aquacultura e fiquei a saber que o excesso de pesca de sardinha nas costas de África está a provocar um aumento de planctôn nessa área , pois este é o principal alimento das sardinhas. Tudo estava bem se ... esse planctôn ao morrer não fosse aumentar a percentagem de gases metano e sulfeto de hidrogénio acumulados no leito do mar . Esse sulfeto em meio aquoso torna-se ácido sulfidríco , um ácido com um cheiro nauseabundo a ovos podres . A pressão gerada pela quantidade de água no oceano , age como rolha e prende esses gases bem lá no fundo mas basta haver um sistema de baixas pressões , como aqueles que causam as chuvas no deserto que lá se vai o efeito rolha que a água exerce sobre o leito do oceano e todo aquele gás é libertado ao mesmo tempo ... resultado : milhares de peixes mortos . Sendo que isto é uma explicação a modos que grosseira para algo por demais complexo , a conclusão é : matas uma sardinha e morrem milhares de várias espécies .

Elo invisivel ...ou efeito borboleta como gostam de dizer os cientistas ...nomeadamente Eduard Lorenz .
Em poucas palavras , o efeito borboleta refere que factores aparentemente insignificantes , como o bater das asas de uma borboleta , poderá , com o tempo e uma sucessão de acontecimentos , originar um furação.
Na minha perspectiva este , aparentemente exagerado exemplo , é no fundo uma metáfora que nos diz que tudo quanto fazemos hoje se reflectirá no amanhã . A crescente poluição , as alterações climáticas , o desaparecimento de espécies , tudo começa com pequenos factores ...aparentemente insignificantes .

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

"Contemplo o lago mudo "

Contemplo o lago mudo
Que uma brisa estremece.
Não sei se penso em tudo
Ou se tudo me esquece.

O lago nada me diz,
Não sinto a brisa mexê-lo
Não sei se sou feliz
Nem se desejo sê-lo.

Trêmulos vincos risonhos
Na água adormecida.
Por que fiz eu dos sonhos
A minha única vida?

Fernando Pessoa - Cancioneiro

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

Flor com cheirinho a nêsperas ...

Esta planta de aroma doce , que ocorre dentro da família das Hidrangeaceae , tem o nome de Philadelphus coronarius .

domingo, 8 de fevereiro de 2009

Lao Tse

Plena de vazio único
Inabalavelmente ancorada no silêncio
A multiplicidade dos seres eleva-se
Enquanto contemplo as suas mutações .
A multiplicidade dos seres
Regressa á sua origem .
Regressar á sua origem
É alcançar o silêncio
A calma permite encontrar o seu destino .
Reencontrar o seu destino reconcilia-nos de uma forma
inabalável .
A reconciliação inabalável conduz ao despertar .
Não conhecer o despertar
Conduz á confusão .
Lao Tse , Tao Te King

sábado, 7 de fevereiro de 2009

Contra a indiferença

Foi recentemente que descobri o blog intitulado "Contra a Indiferença" da autoria de Fernando Nobre . Mesmo sem ter lido , ainda , todas as postagens ,uma delas despertou a minha atenção e por isso aqui vai esta postagem .
Fernando Nobre é neste sentido humanitário , alguém digno de admiração .
A minha visão do mundo , muito mais restrita , condição criada pela minha pouco ampla experiência de vida e pela minha tenra idade , toma novas proporções de cada vez que me cruzo com alguém com tão vastos conhecimentos .
Gostei de ler este blog , porque nos alerta para factos que por vezes olhamos mas não vemos . Aqui neste nosso cantinho , permanecemos por vezes isolados de tudo , e o que se trata aqui é na minha opinião de sacudir mentalidades . Fazer-nos despertar para factos concretos e bem reais .
É sempre enriquecedor , alargar horizontes , formular opiniões novas , enfim , crescer como seres humanos .
O título de uma das suas postagens " Para um Portugal e um Mundo mais justo e harmonioso " reflecte inequivocamente a sua linha de ideias , o seu alento e as esperanças que deveriam ser as de todos nós .
Bem haja ...
Aqui fica o link para o seu blog : http://fernandonobre.blogs.sapo.pt/
E ... boas leituras

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Laurinda Alves e a sua "poesia "

O pequeno texto que a seguir transcrevo , contém , em suas breves linhas um pequeno elixir para a alma , em tudo semelhante ao vigor de um dia de Primavera .
A beleza da sua escrita , transporta-nos de imediato para aquele lugar , a nossa mente viaja e por momentos o presente deixou de o ser , para haver somente nós e um livro .

É assim a escrita de Laurinda Alves , no livro "XIS Ideias para Pensar " , ... efectivamente dá-nos que pensar ... A passagem que a seguir transcrevo intitula-se "Renascer" e encerra em si um novo alento ... uma esperança renovada .

" ... Há os que viajam para fugir , para escapar ou para se distrair e que , afinal , se encontram na pureza sublime de uma serra ou na verdade das pedras antigas . Na vertigem transparente que existe entre o céu e a terra . Nas sombras que se desenham e multiplicam para lá dos limites . No ar que se respira no cimo de tudo , onde as vozes não chegam e todas as penas se esquecem .
Marguerite Youcenar escreveu um dia que ' o Outono e o Inverno limpam tudo pelo vazio e pelo vento ' e é também essa a grandeza da vida . A possibilidade de fazer de novo , de limpar tudo e recomeçar . De poder renascer .
Tudo passa e tudo se esquece ou transforma e é bom saber que acima das montanhas existe luz sobre azul e , debaixo desse imenso céu , permanecem intactas muitas coisas e muitas pessoas . Nem tudo se perde portanto .
E há depois os momentos em que as palavras se sentem e as emoções se calam . Há a fragilidade dos dias e uma força endecifrável que nos empurra e faz caminhar .
Para cá das montanhas há um lago onde tudo parece perfeito e possível e , muito depois do lago , existe uma estrada recta que atravessa campos infindáveis de flores amarelas , densas e sensuais . Apetece parar e tocar-lhes . No fim da estrada , uma linha de comboio envelhecida e coberta de ervas entre pedras . E a casa .
Uma casa de madeira e pedra com janelas grandes , de vidros inteiros . Uma sala e mais outra , cheias de livros sedutores e tão sensuais como as flores amarelas de colza . Umas escadas que sobem para um sótão com traves de madeira pintada de branco e mais janelas rasgadas para o céu e a copa das árvores . Pousados no chão e nas mesas , muitos livros e revistas que apetece ler demoradamente . Nas prateleiras , os filmes eternos e a música de uma vida inteira .
Ao longo da casa , uma varanda de madeira e uma rede para nos deitarmos a ouvir o rumor vegetal das plantas e o som cantado dos espanta-espíritos . E , por vezes , o ronco de um comboio que abranda sob a janela . Há naquela casa um gosto evidente pelo saber e uma necessidade de sonhar . E de viver .
E é na abstracção das horas de um tempo que parece suspenso que pressinto que não temos apenas um lugar no mundo . "
texto de Laurinda Alves


terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Hortênsias

Originária da Ásia ( China , Japão e Himalaias ) e das Américas do Norte e Sul , a hortênsia , como é comummente chamada , tornou-se numa assídua visitante dos nossos jardins . Florescem por volta do mês de Maio numa profusão de cores que varia do branco até ao vermelho e vários tons de rosa .
Botânicamente falando , a Hydrangea macrophylla faz parte de um grupo de cerca de 100 espécies decíduas de arbustos , trepadeiras e pequenas árvores , pertencente á família botânica das Hydrangeaceae.
Existe em muitos sites , a informação de que a Hydrangea pertence ás Saxifragáceas , contudo , de acordo com os registos da Royal Botanical Kew Gardens e de acordo com a nova classificação filogenética , esta planta encontra-se actualmente na família das Hydrangeaceae.
É a espécie mais conhecida de hortênsias , a H.macrophylla , e a que possui mais cultivares . Dá-se o nome de cultivar a um conjunto de plantas que apresenta determinados atributos ou características bem distintos e particulares , e que mantém uniformes e estáveis esses mesmos atributos , quando propagadas adequadamente .
Estes cultivares dividem-se em dois grupos : "mophead" e "lacecap", as primeiras com cerca de 500 e as "lacecap" com cerca de 20 .

Exemplo de um cultivar mophead

Exemplo de um cultivar lacecap

Essencialmente , a diferença entre estas duas , é que as chamadas mophead têm flores maioritariamente estéreis , ao passo que as lacecaps , tal como se vê na foto acima , constituem-se por uma coroa central de flores férteis e uma aureola de flores estéreis .

Cultivo :

Viajando um pouquinho por todo o universo de espécies que existem dentro do género Hydrangea , veríamos que as suas condições de cultivo em muito variam , de acordo com o espécimen em questão .

Contudo , e de uma maneira geral , poderíamos arriscar a dizer que preferem um solo fértil e leve com alguma humidade .

Têm ainda uma curiosa característica , a cor das suas flores varia de acordo com o ph da terra em que estão plantadas ; se o solo for ácido as suas flores serão azuis ; se tiver um ph próximo do neutro , então terá pétalas de cor creme ; mas se o terreno for alcalino então as suas flores serão cor-de-rosa .

Para o caso de ter sempre hortênsias cor - de -rosa e as querer de cor azul , basta adicionar sulfato de aluminio ao solo para este se tornar ácido .

Hoje em dia existe um composto próprio para o cultivo de hortênsias que já traz o ph adequado para estas . Este composto também vem indicado como sendo para azáleas ou camélias pois estas também preferem solos ácidos para se desenvolverem melhor .

A nível de doênças são mais atacadas por oídeo ( as folhas parecem ter um pó esbranquiçado ) , para evitar pulverize na Primavera já com as folhas todas , com uma solução fungicida .

No caso de as folhas aparecerem meio amareladas então o problema será clorose férrica , esta é geralmente induzida por terrenos demasiado alcalinos que impossibilitam a absorção do ferro existente no substrato . Como correcção , mude o substrato da planta para mais ácido e use um pouco de quelato de ferro na água da rega .